Alexandre de Moraes determina busca e apreensão contra informante de jornalista que publicou texto sobre carro usado por Flávio Dino


Medida atinge Raimundo Cutrim, apontado como possível fonte de informações usadas por jornalista que publicou reportagens sobre o uso de veículo oficial por familiares do ministro Flávio Dino
Por Guia Miraí
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou uma nova medida de busca e apreensão no âmbito da investigação que apura a origem de informações utilizadas pelo jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida em reportagens sobre o uso de veículos oficiais envolvendo o ministro Flávio Dino e seus familiares.
Segundo informações divulgadas pelo Estadão, o alvo da medida é o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão e ex-deputado estadual Raimundo Cutrim, apontado como uma das possíveis fontes das informações publicadas pelo jornalista. A decisão teria sido tomada nesta terça-feira (11).
O caso teve início após reportagens publicadas por Luís Pablo, a partir de novembro de 2025, nas quais o jornalista questionou o uso, em São Luís, de um veículo pertencente à estrutura do Tribunal de Justiça do Maranhão. Segundo as publicações, o automóvel teria sido utilizado por Flávio Dino e familiares em deslocamentos particulares.
Em março deste ano, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na residência de Luís Pablo, por determinação de Alexandre de Moraes. Celulares, computador e outros equipamentos utilizados pelo jornalista foram apreendidos.
A investigação apura a possibilidade de crime de perseguição contra Flávio Dino, além da suspeita de que informações relacionadas à segurança e aos deslocamentos do ministro tenham sido obtidas e divulgadas de maneira indevida.
Moraes teria considerado que as publicações indicavam que o jornalista poderia ter utilizado algum mecanismo estatal para identificar veículos e obter informações relacionadas à segurança de uma autoridade.
Posteriormente, após a extração dos dados dos equipamentos, o próprio ministro determinou a devolução dos aparelhos ao jornalista.
Sigilo da fonte entra no centro da discussão
A nova etapa da investigação reacende um debate envolvendo liberdade de imprensa e sigilo da fonte, garantias previstas constitucionalmente para o exercício da atividade jornalística.
Entidades como a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a OAB-MA manifestaram preocupação com a operação realizada contra Luís Pablo, especialmente em relação à apreensão de equipamentos utilizados em seu trabalho.
Por outro lado, a investigação sustenta que o foco não seria simplesmente o conteúdo jornalístico publicado, mas a possível obtenção e divulgação de informações sensíveis relacionadas à segurança de Flávio Dino. Em manifestação anterior, Dino afirmou que sua equipe havia identificado um suposto monitoramento ilegal de seus deslocamentos e que informações sobre veículos e agentes de segurança teriam sido encaminhadas à PF e à Procuradoria-Geral da República.
A investigação tramita sob sigilo e, até o momento, não há informações públicas completas sobre todas as provas reunidas ou sobre o conteúdo integral da decisão que determinou a nova busca.
Também não é possível afirmar, neste momento, que Raimundo Cutrim tenha cometido qualquer crime. A condição de alvo de uma medida de busca e apreensão não significa condenação ou comprovação de responsabilidade criminal.
O caso, entretanto, ganha novos contornos e amplia a discussão nacional sobre os limites entre investigação criminal, segurança de autoridades, liberdade de imprensa e proteção das fontes jornalísticas.







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